o medo de ser igual aos meus pais ūüĎ™


Recentemente, percebi que existia algo “errado” dentro de mim.

Percebi uma incansável busca por referências externas, por conquistas atrás de conquistas.

E por mais grandiosas e satisfatórias que fossem essas conquistas, ainda persistia um sentimento interno de vazio.

A famosa sensação de fazer por fazer, da fugo-luta, de querer fazer mais e mais, sem aproveitar o momento presente.

Treinamentos, livros, pessoas, rela√ß√Ķes, neg√≥cios, medita√ß√Ķes, terapeutas, exerc√≠cios‚Ķ.

No come√ßo, tudo era uma excita√ß√£o gostosa‚Ķ mas logo a lua de mel passava e vinha o sentimento de¬†‚Äúburaco‚ÄĚ de novo.

As poucas pessoas corajosas e sinceras que conheci em meu caminho, ao invés de passar a mão em minha cabeça, de uma maneira ou de outra falaram, de forma bem clara:

‚ÄúEu n√£o¬†possuo o que voc√™ busca, voc√™ precisa descobrir isso por si s√≥. Esteja aberto para a vida e sinta o caminho.‚ÄĚ

Acho que poucas coisas frustram tanto o ego quanto a volta para a responsabilidade.

Ao mesmo tempo em que é grandioso, pensa muito de si, e te faz parecer sobre-humano, o ego é frágil, tirano e manipulador.

Ele quer resultados, agitação e alegria a qualquer custo.

Ele busca te seduzir o tempo todo com novos pensamentos, novas ideias, novos desejos.

E como a mente √© muito criativa, o neg√≥cio vai longe! Entramos em uma¬†espiral infinita de ciladas e mais ciladas…

A √ļltima grande enrascada que entrei com meu ego foi acreditar na cren√ßa de que¬†‚Äúeu sou¬†auto-suficiente‚ÄĚ, que “eu n√£o preciso de nada nem ningu√©m para ser feliz”, e que¬†‚Äúeu dou conta de tudo‚ÄĚ.

Que ‚Äúeu nunca vou ser igual aos meus pais‚ÄĚ,¬†‚Äútenho medo de ser igual aos meus pais‚ÄĚ.

Curiosamente, percebi que esse medo (de ser igual aos pais) era algo comum não só a mim, mas a diversas pessoas com quem conversei.

E curiosamente percebi que as cren√ßas de que “eu sou¬†auto-suficiente‚ÄĚ, ¬†“eu n√£o preciso de nada nem ningu√©m para ser feliz”, e ‚Äúeu dou conta de tudo‚ÄĚ vieram dos meus pais, quando eles est√£o no pior deles.

Logo que tomei consciência desses pensamentos, eu percebi de forma um pouco mais clara como eles atrapalhavam a minha vida:

Por exemplo, se eu tinha um problema profissional, eu preferia ler a biografia do Elon Musk ou do Steve Jobs, ou procurar diversos vídeos no youtube sobre liderança e marketing, ao invés de dar um simples telefonema para o meu pai.

Se queria aprender a desenhar, pintar e cozinhar, iria atrás do melhor artista do mundo, comprar livros e assistir tutoriais na internet ao invés de simplesmente passar uma tarde com a minha mãe.

De alguma forma, a mente me convencia de que meus pais nunca eram o¬†‚Äúsuficiente‚ÄĚ. Que o que eles tinham a me oferecer n√£o bastava.

Que era muito mais chique postar no instagram que estava almoçando com alguém famoso, ou entrevistando alguém foda no podcast, ou ainda compartilhar receitas dos canais famosos do YouTube, do que a simplicidade do conhecimento que meus pais ofereciam.

E é paradoxalmente curioso compreender quão complexa a nossa vida pode se tornar por não aceitar a simplicidade.

Um certo dia, meu amigo apontou que eu estava confundindo ‚Äúhonrar pai e m√£e‚ÄĚ com¬†‚Äúobedecer pai e m√£e‚ÄĚ.

Nos epis√≥dios de inf√Ęncia em que tive que utilizar da rebeldia para fazer presente a minha fala, a mente bin√°ria e absoluta guardou¬†que obedecer √© uma¬†coisa, e¬†honrar √© outra.

Momentos de disc√≥rdia na rela√ß√£o com meus pais refor√ßaram uma programa√ß√£o de medo e¬†ang√ļstia em meu sistema, que me faz querer sempre mais e ter reconhecimento.

E essa programação atua de forma doentia, olha só:

Como a figura dos pais interna não era o suficiente, a programação me fez buscar no externo, no mundo, o que fazer.

O mundo me ensinou que tudo que eu buscava estava na fama, poder e riqueza, ao invés da conexão espiritual, da essência de quem eu sou.

Esse pensamento me faz esquecer de simplesmente ser, de sair do universo ilusório criado pela mente.

Quando finalmente me tornei consciente dessa maluquice, a chave virou, e eu percebi que a vida poderia ser muito mais simples do que eu estava imaginando.

Por que diabos eu vou atrás de um livro do Elon Musk, se eu posso só sentar, almoçar com meu pai e abrir meu coração para ele?

A partir do momento em que decidi fazer esse almo√ßo uma rotina, as decis√Ķes sobre meu momento profissional e a vida se tornaram leves, simples, divertidas, e ainda aproveito para curtir um momento a s√≥s com meu pai.

A receita √© simples: a gente senta e eu abro o¬†cora√ß√£o¬†com toda ang√ļstia, medo e incerteza que existem dentro de mim.

Meu pai me aconselha, do jeito dele, e eu simplesmente aceito tudo que ele tem a me contar. Aceito ele do jeito que ele é.

Depois disso, eu sigo feliz da vida, com uma grande clareza do que tem que ser feito.

Isso não significa necessariamente que eu obedeço 100% do que ele fala.

Se eu obedeço ele em 10% ou 100% do que ele falou, é outra estória.

Mas o simples fato de só sentar e aceitar que ele tem mais experiência que eu, me faz humilde, me faz feliz, me faz humano, me faz filho.

Eu leio o livro do Elon Musk, e agora sim, ele me traz vigor, clareza, pois est√° ancorado na honra que trago pelo meu pai.

A ansiedade de querer ser igual ao Elon Musk vai embora.

O mesmíssimo aconteceu com a minha mama amada.

Por que diabos eu vou atr√°s do¬†‚Äúmelhor artista do mundo‚ÄĚ, do melhor¬†‚Äúmasterchef‚ÄĚ, lendo livros e assistindo v√≠deos se eu posso simplesmente passar uma tarde com a minha m√£e aprendendo as receitas que fizeram mem√≥ria dentro de mim? Aprendendo a pintar e a desenhar?

Aprender dessa forma fica leve, simples, divertido e ainda aproveito para ter um momento de amor e carinho com a minha mãe, e ainda levo o Hórus, meu cachorro, para brincar com a amiguinha dele, a Arya, na casa dela.

Todo mundo ganha.

Eu leio livros, assisto vídeos e vou atrás dos melhores artistas e agora sim, eles me inspiram de verdade, pois tem lastro na honra e orgulho que carrego da minha mãe.

Quanto maior a nega√ß√£o das minhas origens, quanto menos valor eu dou a eles, mais eu refor√ßo padr√Ķes de dor da inf√Ęncia.

E se eu refor√ßo os padr√Ķes de dor da inf√Ęncia, o ego entra, para fugir da dor.

E se eu atuo pelo ego, eu repito os padr√Ķes negativos.

Se eu repito os padr√Ķes negativos, eu falho em minha miss√£o.

E se eu falho em minha missão, eu adoeço.

√Č um buraco negro, de medo e escassez.

Que se repete, de novo e de novo.

Deixo de falar com meus pais, deixamos de nos ver, deixamos de nos amar.

A vida fica chata, solitária, e eu tenho que fazer um puta esforço de correr pelo mundo buscando o que eu acho que falta em mim.

Em compensação, quanto mais eu permito-me receber o amor dos meus pais, mais eu permito que a capacidade de dar amor deles se amplie.

√Č uma roda m√°gica de abund√Ęncia e de amor.

Quando mais aceito eles, exatamente como são, maior é a aceitação de mim mesmo.

Maior é o meu orgulho em ser o filho dos meus pais.

Essa alegria me faz ficar presente e estabelecido nas minhas virtudes e valores, que ganhei de presente deles, sem precisar dar nada em troca.

Quanto mais estabelecido nessas virtudes, menores são as incidências das partes ruins deles que, óbvio, também carrego em mim.

As cren√ßas de que “eu sou¬†auto-suficiente‚ÄĚ,¬†“eu n√£o preciso de nada nem ningu√©m para ser feliz”, e que¬†‚Äúeu dou conta de tudo‚ÄĚ simplesmente v√£o embora.

E aqui entra o paradoxo: no momento em que essas crenças vão embora, eu percebo que sou sim, auto-suficiente, que não preciso de nada nem ninguém para ser feliz, e que sim, dou conta de tudo.

Mas isso só aparece por que aceito que faço parte desse contexto, eu me integro e me entrego à vida!

Por que simplesmente sou, sem me cobrar, sem me forçar a ser.

E assim posso seguir viajando, com atitude,¬†entrega¬†e amor.¬†ūüĎäūüôŹ‚̧

De forma leve, simples, divertida e equilibrada.


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“De nada vale tentar ajudar aqueles que n√£o ajudam a si mesmos.‚ÄĚ
~ autor desconhecido


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