Como contornar o vício em celular?

o fenômeno da nossa natureza humana, o qual chamamos de “mente”, funciona como se fosse um sistema.

e assim como um computador, a mente possui sua própria “memória RAM”, que opera em loop por nossos pensamentos.

no computador, a memória RAM é o que faz você abrir e executar os programas que você precisa no momento.


se você abre muitos programas, aplicativos, muitas abas no navegador, de cara você vai perceber como seu computador ou celular fica mais devagar, até você reiniciar ou fechar o desnecessário.

o nosso hardware biológico funciona mais ou menos da mesma maneira.

percebi isso semana passada quando estava comendo um pastel com caldo de cana na feira, e resolvi abrir meu celular.

o que era até então uma experiência prazeirosa, se transformou.

foi bater o olho em alguns emails e comecei a perceber a ansiedade brotar, um sentimento de “ter que voltar logo e trabalhar”.

na hora, percebi a auto sabotagem, como se tivesse instalado um “vírus” em meu sistema.

abrir o celular foi uma péssima ideia, pois abri mais aplicativos do que a minha memória RAM suportaria naquele momento. (#1)

o que tinha que fazer era claro: apenas comer. pra que fui me preocupar com outras coisas?

o impulso que me fez abrir o celular foi claramente para preencher um vazio existente dentro de mim: (#2)

meu sistema é viciado na serotonina de receber mensagens novas por email, novas curtidas, compartilhamentos e comentários.

por mais que eu tenha a consciência hoje de que esse impulso não é capaz de me completar, que não me ajuda em nada no momento presente, ainda tenho a programação desse mau hábito a ser vencida.

eu abri meu email “só por abrir” (#3) :

eu não estava com intenção de responder e dedicar minha atenção em FOCO TOTAL para aquela atividade no momento.

eu não poderia fazer nada a respeito daquilo, não estava de frente ao meu computador e nem era hora de trabalhar. foi um mecanismo de auto sabotagem interna, que, por sentir prazer no sofrimento, gosta de gerar ansiedade.

toda a carga emocional daquele ato de ver as mensagens e não fazer nada a respeito já começou a ocupar minha memória RAM, que até então estava vazia, apenas curtindo meu pastel e caldo de cana na feira.

ao fazer isso, meu sistema já começou a ser afetado, na digestão. (e depois fico colocando culpa no glúten, lactose e nas calorias…. ao invés de prestar atenção no ato de comer)

o que era para ser um ato prazeroso, de descanso para o meu sistema, foi curto circuitado em ansiedade.

// hardware silício X biológico

em minha jornada de criar um balanço entre o hardware biológico e o hardware de silício, tenho percebido que são nesses pequenos e singelos hábitos que consigo recuperar força vital e responsabilidade sobre o meu sistema.

ao me perceber criando vontade de tirar o celular do bolso, tento me lembrar que:

#1 a minha memória RAM é limitada, será que tenho espaço para alocar +1 coisa?

#2 o impulso não vai me dar o que preciso;

#3 abrir o celular por abrir não me leva a lugar nenhum, a não ser que tenha clareza de por que vou usá-lo;

#4 nada de multitask: hora de comer é hora de comer, hora de trabalhar é hora de trabalhar, hora de descansar é hora de descansar.

se precisar, tire screenshot dessas 4 regras, e coloque no seu celular:
toda vez que tirá-lo do bolso, pode ser uma boa oportunidade de lembrar-se também ;D

para essa sexta, fica essa reflexão: como está a sua relação com o seu hardware biológico? e o de silício? qual está levando a melhor?

reflita e comente conosco nos comentários do blog ;D


// frase para você filosofar

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“Ser inteiramente honesto consigo é um bom exercício.”  ~ Sigmund Freud

#en
“Being entirely honest with oneself is a good exercise.” ~ Sigmund Freud


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